UNIÃO EUROPEIA FIRMA ACORDO PARA ACELERAR ARMAZENAMENTO DE ENERGIA ATÉ 2028
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Diante da necessidade de acelerar a transição energética e reduzir a dependência de combustÃveis fósseis, o Conselho Europeu firmou um compromisso com os Estados-Membros para que acelerem a implantação de fontes renováveis e sistemas de armazenamento. Essencial para estabilizar preços, mitigar o corte de geração (curtailment) e gerenciar congestionamentos na rede, estima-se que a capacidade de armazenamento da União Europeia precise saltar de 55 GW (inÃcio de 2026) para 200 GW até 2030, combinando tecnologias autônomas (standalone) e hÃbridas.
Para viabilizar esse crescimento de quase quatro vezes e destravar investimentos, a União Europeia formalizou, em 26 de junho de 2026, o Acordo Tripartite para o Armazenamento de Energia. Antecipada no Relatório sobre o Estado da União da Energia de 20251, essa coalizão une a Comissão Europeia, Estados-Membros, instituições financeiras e a indústria para mitigar riscos regulatórios e financeiros, estabelecendo as bases para a expansão acelerada do setor.
O ACORDO
O acordo estabelece metas estruturadas em três pilares: expansão da capacidade de armazenamento, redução a demanda por gás e eletrificação da indústria;
Expansão Acelerada da Capacidade de Armazenamento: elevar em pelo menos 20% a implantação anual de sistemas de armazenamento de energia — SAE, em comparação com a capacidade instalada em 2025. A meta corresponde à instalação de aproximadamente 45 GW entre 2026 e 2028.
Reduzir a demanda de gás: ampliar o aproveitamento das fontes renováveis, de modo que os sistemas de armazenamento passem a atender aproximadamente 10% da demanda de ponta, ante cerca de 5% em 2025.
Eletrificação e competitividade da indústria: ampliar os contratos de compra de energia associados a ativos de armazenamento de 1,5 GW, em 2026, para 4,5 GW, em 2028; aumentar a capacidade de armazenamento térmico no setor comercial e industrial de 0,5 GWh para 1,5 GWh; elevar de 5% para 20% a participação de instalações de armazenamento colocalizadas com empreendimentos de geração renovável; e expandir as instalações de baterias no segmento comercial e industrial de 9 GWh para 24 GWh até 2028.
Em vez de atuações isoladas, o acordo passa as responsabilidades aos agentes públicos e privados em uma frente única de execução:
RESPONSABILIDADES E METAS
O braço financeiro do bloco tem como responsabilidade e meta:
Banco Europeu de Investimento (BEI): Estuda injetar recursos incluindo soluções de armazenamento no programa de € 500 milhões para PPAs corporativos, além de estender um pacote de € 1,5 bilhão em garantias para a cadeia de suprimentos e oferecer linhas de crédito flexÃveis (dÃvida de risco e quase-capital).
Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD): Ampliará os aportes diretos e dará consultoria técnica aos paÃses para a criação de marcos regulatórios atraentes.
Comissão Europeia: Atuará diretamente com o BEI para desenhar contragarantias de PPAs e blindar a cadeia produtiva local.
Enquanto os estados membros e desenvolvedores tem como responsabilidades e metas:
Estados-Membros: Comprometeram-se a entregar um ritmo de instalação de 30 GW por ano, eliminando barreiras burocráticas e garantindo tarifas de rede justas e sem discriminação para os operadores de armazenamento.
Desenvolvedores e Indústria: Devem mapear e apresentar anualmente novos projetos replicáveis e dar total transparência à s suas projeções de demanda elétrica para alinhar a expansão fÃsica do setor.
Além disso a Comissão Europeia será responsável por coordenar e acompanhar a execução do acordo, promovendo também a troca de experiências entre os signatários. O progresso será avaliado anualmente até 2028, considerando a capacidade instalada de armazenamento, a participação do armazenamento no atendimento da demanda de ponta e o volume de PPAs associados a esses ativos. No setor comercial e industrial, serão monitoradas a capacidade de armazenamento térmico, a colocalização com fontes renováveis e a expansão das instalações de baterias.
AVALIAÇÃO DA ABSAE
Para a ABSAE, o Acordo Tripartite evidencia que a expansão do armazenamento de energia exige coordenação entre governo, reguladores, instituições financeiras e setor produtivo. Metas claras, sinalização de longo prazo, acesso a financiamento, redução de barreiras regulatórias e acompanhamento dos resultados são condições essenciais para acelerar investimentos e ampliar a contribuição desses sistemas para a segurança, a flexibilidade e a eficiência do setor elétrico.Â
No Brasil, já são observados avanços importantes. A regulamentação decorrente da Consulta Pública nº 39/2023 representou um passo relevante para o reconhecimento e a inserção dos sistemas de armazenamento no setor elétrico. A discussão sobre a tarifa branca também reforça a importância de sinais econômicos que estimulem o deslocamento do consumo e o uso do armazenamento nos perÃodos mais adequados para o sistema.
Apesar desses movimentos, ainda é necessário construir um ambiente regulatório e econômico que ofereça maior segurança e previsibilidade aos projetos. Entre os pontos que demandam avanço estão as regras de acesso e uso da rede, o tratamento tarifário, o reconhecimento e a remuneração dos diferentes serviços prestados pelo armazenamento e a criação de mecanismos adequados de financiamento.
Nesse cenário, os leilões previstos para dezembro representam uma oportunidade concreta para ampliar a escala do armazenamento no paÃs, atrair investimentos e consolidar os primeiros modelos de contratação. Esses certames, contudo, não devem constituir uma iniciativa isolada.
Para a ABSAE, o Brasil precisa estabelecer uma agenda contÃnua e previsÃvel de novos leilões, orientada pelas necessidades identificadas no planejamento energético e na operação do sistema. O desafio é transformar os avanços já alcançados em uma estratégia permanente, capaz de viabilizar projetos autônomos, hÃbridos e colocalizados e de aproveitar plenamente os benefÃcios do armazenamento para os consumidores e para o Sistema Interligado Nacional.